Política

O Banquete Transpartidário: Quando a Ideologia se Curva diante do Cofre

27 de Janeiro, 2026 4 min de leitura Por Ricardo L. Menezes

O Fato: A Liquidação de um Império de Papel

No dia 18 de novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master e empresas coligadas de Daniel Vorcaro por insuficiência patrimonial e violação de normas. O que parecia uma falência técnica desdobrou-se em um escândalo bilionário: suspeitas de fraudes de R$ 12,7 bilhões, um rombo potencial de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e uma rede de influência que alcança desde ex-ministros de Lula e contratos com esposas de ministros do STF até grandes doadores de campanhas da direita, como de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

Sob a Lupa: A Geleia Geral da Conveniência

O caso Master é um laboratório fascinante para a psicologia das massas. Observamos aqui o colapso da narrativa binária que sustenta a polarização brasileira. Quando um escândalo é polideológico, as 'tribos' digitais entram em um estado de dissonância cognitiva aguda. O militante de esquerda tenta focar na doação milionária feita pelo cunhado de Vorcaro a Bolsonaro, ignorando as reuniões fora da agenda de Vorcaro com o atual governo. Já o entusiasta da direita foca nos contratos de ex-ministros progressistas, enquanto silencia sobre o jatinho compartilhado com figuras do Judiciário ou as operações no governo do Distrito Federal.

O fenômeno aqui não é apenas o tribalismo, mas a manutenção do viés de confirmação por omissão seletiva. Para proteger a própria sanidade ideológica, o indivíduo 'edita' a realidade, escolhendo qual parte do escândalo merece sua indignação. A psicanálise explicaria isso como uma recusa em aceitar que o sistema é fundamentalmente capturado por interesses privados, independentemente da cor da bandeira que ele carrega. A elite, ao que parece, não é dividida; ela é simbiótica.

A 'geleia geral' descrita nas análises reflete uma sociedade onde o capital transita livremente entre gabinetes de todos os matizes, provando que a verdadeira moeda de troca no poder não é a ideologia, mas o acesso e a proteção mútua. O Master é o espelho de um Brasil onde as fronteiras entre o público e o privado são tão líquidas quanto os ativos que desapareceram do banco.

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A Reflexão

"Seria a polarização política apenas uma distração estética para encobrir a profunda e funcional integração entre o capital financeiro e as estruturas de poder do Estado?"

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