Brasil

Homenagem a Lula no Carnaval pode gerar ações na Justiça Eleitoral

16 de Fevereiro, 2026 3 min de leitura Por Patrícia C. Andrade

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15) na Marquês de Sapucaí, homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo 'Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil'. Embora a apresentação tenha sido considerada moderada por analistas, especialistas em Direito Eleitoral alertam para possíveis questionamentos jurídicos devido ao contexto político de 2026.

Elementos visuais e críticas políticas

A agremiação apresentou alas com cores e símbolos que remetem ao Partido dos Trabalhadores, além de letras de samba com possíveis alusões ao número da legenda. O desfile também incluiu críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado em carros alegóricos e encenações como a figura do palhaço 'Bozo', incluindo referências a prisões e ao uso de tornozeleira eletrônica.

Análise técnica e riscos jurídicos

'Poderia se dizer que o boneco tem um efeito de outdoor pela imensidão da imagem. Por outro lado, não teria como fazer um desfile de carnaval sem algum boneco com referência ao homenageado', explicou a professora Raquel Cavalcanti Machado, da Universidade Federal do Ceará.

A especialista destaca que o uso de imagens gigantescas do presidente pode ser interpretado pela Justiça como uma forma de propaganda irregular. Outro ponto de atenção é a possibilidade de o desfile ser configurado como propaganda negativa contra o senador Flávio Bolsonaro, que já anunciou intenção de acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Presença oficial e financiamento

Lula assistiu ao desfile de um camarote oficial e chegou a cumprimentar integrantes da escola na pista. Para evitar maiores complicações jurídicas, o governo recomendou que ministros não desfilassem, e a primeira-dama Janja optou por não participar da apresentação de última hora. Sobre o financiamento, a escola recebeu repasses públicos da Embratur, do Ministério da Cultura e das prefeituras do Rio e de Niterói, seguindo o padrão estabelecido para as demais agremiações do Grupo Especial.

O Carnaval historicamente serve como palco para manifestações políticas e sociais, mas o desafio contemporâneo reside em distinguir onde termina a liberdade de expressão cultural e onde começa o desequilíbrio do pleito eleitoral.

O impacto jurídico final dependerá de como o conteúdo do desfile será replicado nas redes sociais e se haverá caracterização de uso promocional para a futura campanha de reeleição.

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